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Travessia do Norte - Etapa1


imagem: travessia_do_norte.jpg São 23,00h, provavelmente já não são horas de estar a escrever, principalmente depois do dia de hoje.Sim, o dia de hoje já vai longo ! Começou cedo, com o despertar às 4,30h e algumas peripécias com a partida, que acabou por acontecer às 5.45h.Vamos fazer a rota a que chamam Travessia do Norte, queremos dar inicio a esta nova aventura quando forem nove horas, a partir de Rio de Onor . O objectivo da primeira etapa é chegar a Vinhais, daí até Chaves, desta a Montalegre, dormir e seguir para Lobios, no país vizinho, daí até Castro Laboreiro e no dia seginte rumar a Arcos de Valdevez, para terminar, no último dia em Caminha, junto ao mar.Os protagonistas são seis, que ireis conhecer ao longo destas notas.Cumprido o plano, pelas nove da manhã as ruas desertas desta aldeia comunitária, dividida pela fronteira que as gentes não divide, eram percorridas por seis bicicletas cheias de expectativas e de querer.Esta bela aldeia fica no extremo nordeste do parque natural Montesinho.

Um inicio íngreme com o tempo ameno, indeciso entre o sol e a chuva, foi dando a conhecer os trilhos e estradões que percorrem este belíssimo parque. Por trilhos e caminhos de uma beleza natural deslumbrante, vagueamos entre terras de Portugal e Espanha.

A temperatura começou a subir e o sol assentou arraiais, realçando a beleza do lugar. Já bem altos, som fundo num pequeno vale, o negro do xisto sobre os telhados das casas mostrou-nos a aldeia de Montesinho, que dá nome ao parque. Sobre a nossa direita, esta foi ficando para trás, cada vez mais depressa, à medida que a velocidade aumentava na alucinante descida que daí iniciamos, pequenos na imensidão do que nos cercava. Impressionante, a uma velicidade superior a 50km hora, em terra batida, quando de repente se levanta na frente dos nossos olhos, uma parede imensa, verde, coberta de sombra, qual guardião de um templo sagrado.

O caminho foi-nos desviando pela direita, acentuando a descida até desaguar no rio Sabor.Passeio descontraído nas margens deste rio, onde o que ouvia eram as suas águas e a conversa dos pássaros.Aos 45km, sensivelmente a meio da jornada, encontrámos a aldeia de Cova da Lua. Como já eram horas, havia que procurar almoço. Na casa do povo, que funciona também como o café da terra, alguém grelhava ao ar livre umas febras e umas barriguinhas que libertavam um perfume para os nossos estômagos vazios que acirrava a sensação de fome. Más notícias, para nós não há nada, não servem refeições, aquilo era só para amigos!Uma frutinha e umas barras energéticas tiveram que chegar e continuámos caminho.Atravessámos todo o parque natural, com locais fantásticos, muitas vezes junto aos marcos de fronteira, serpentiando-a, subindo e descendo ao sabor do relevo e dos caprichos da natureza.

Cinco da tarde sem que o sabor do almoço se fizesse sentir começava a quebrar os ânimos, era urgente chegar onde comer, há que pedalar até à aldeia mais próxima, Moimenta, onde umas bifanas nos saciaram. O fim de tarde aproximava-se, havia que rumar ao destino! A meia encosta aproveitava-se a vista sobre o vale, ao fundo via-se Moimenta, por trás as eólicas espanholas, imensas, qual armada branca, guardiã fronteiriça.Último esforço e chegada a Vinhais para o descanso merecido.


Joaquim Lopes em 29/05/2010